20.4.12
Sobre meias furadas
Resolvi fazer algo que, confesso publicamente, reluto muito em fazer: arrumar minhas gavetas. Deixo essas organizações para um momento em que sinto uma necessidade imensa de mexer algo no meu interior, e aí apelo para as gavetas. Já conheci um homem que limpava a geladeira, dizendo que encontrar formas de tirar o gelo do modo mais eficiente possível era terapêutico. Talvez isso remetesse ele para os ancestrais que viveram na era do gelo… não sei qual era a relação que ele fazia, mas penso que com as geladeiras modernas ele deve estar um pouco perdido, sem ter gelo para tirar…
Graças a Deus minha terapia é nas gavetas, que sempre vão existir, junto com a bagunça que vamos acumulando dentro delas. Tudo tão fácil… é só puxar e num vapt colocar o objeto para dentro… e lá ele permanece, escondido dos nossos olhos, mantendo a aparência de organização do lado de fora…
Acho que nossa alma deve ser um imenso gaveteiro, onde vapt, vamos tocando para dentro as coisas que estão soltas, em desacordo com a ordem que queremos manter…
Divagava sobre as gavetas, quando abri a que eu mais temia: a gaveta das meias! Vagarosamente, sentei na frente daquela parte do armário e fiquei entre o desespero e a perplexidade. Fui tirando algumas peças, e logo percebi que a operação precisaria ser cirúrgica: tirei a gaveta do lugar e virei tudo no chão.
Não sabia por onde começar. Tinha alguns pares… ou melhor, algumas peças sem pares. Separei essas, mas permaneci relutante em colocá-las fora. Imaginava que o outro pé deveria estar na casa da minha mãe, ou da amiga, ou perdido em outra gaveta… e que assim que eu as juntasse estaria tudo certo.
Outros pares de meia estavam gastos, manchados e feios. Eu tinha consciência de que não as usava mais, mas também não as quis colocar fora… e as meias furadas? Me pareciam tão confortáveis, conhecidas, que o furo pouco importava…
No meio das minhas meias gastas, manchadas e furadas, tive um lapso de lucidez. Me fitei por um segundo no espelho e perguntei em voz alta: “pode me explicar por que guardo tudo isso?” Não entendia o motivo de tratar com tanta deferência minhas meias furadas! Olhei para o estado lastimável de alguns pares. Elas já tinham sido muito usadas, já haviam aquecido meus pés em muitas noites frias e ido comigo a muitos lugares quando as temperaturas eram negativas.
Eu já sabia se a costura de cada uma delas era macia ou não, já haviam sido moldadas pelos meus pés. Já haviam impedido que o suor do pé deixasse um tênis mal cheiroso ou uma bota machucasse o calcanhar…. ou que meus pés congelassem durante uma aula que me exigiam ficar sentada imóvel.
Elas já haviam me servido muito… mas agora estavam sem condições de uso, pedindo substituição. E eu as mantinha lá, na esperança que um dia elas cumprissem a mesma função, ou por respeito por terem sido tão úteis… e as mantinha ocupando um espaço precioso nas gavetas, e nas raras vezes que as colocava nos pés, suava frio quando estava na eminência de ter de tirar os sapatos, pois sabia que elas já não eram dignas de estar em meus pés.
Quanta coisa na vida são meias furadas mantidas em gavetas, ocupando um espaço que devia pertencer a meias novinhas, em perfeitas condições de uso? Quanta coisa mantemos guardadas, na esperança de que um dia voltem a ser como antes, como se o tempo não as tivesse estragado? Quantas coisas simplesmente mantemos guardadas em consideração ao fato de nos ter aquecido, ido conosco a todos os lugares e feito parte de nossa história, estando tão próximas que talvez se confundissem com nós mesmos? Queremos aquele calor confortável e conhecido de volta… mas os furos das meias já não as deixam mais tão confortáveis assim… e mesmo que se costure, elas jamais vão nos dar o mesmo calor e conforto.
Me desfiz das meias furadas… quero abrir espaço para o novo. Nem que o novo que chega até mim sejam apenas lindos pares de meias que vão colorir meus passos no próximo inverno….
20.3.12
Sim, eu errei…
Sim, eu errei.
Errei muito, errei feio. Errei talvez de uma forma irremediável. Inaugurei em minha vida sempre tão ponderada e certinha uma forma de errar que jamais me supunha capaz outrora. Errei tanto que não sei mais por onde começar a consertar as coisas. É como se o livro da minha vida, escrito em letra caprichada e marcado pela assertividade dos atos, fatos e relatos estivesse anulado por um imenso X grifado em caneta vermelha, marcando o tamanho do meu equívoco e me reprovando, definitivamente, como ser pensante capaz das melhores escolhas para minha vida e do cuidado para comigo.
Sim, eu errei.
Fiz escolhas equivocadas, escolhi caminhos que - hoje vejo - eram os mais tortuosos. Descuidei da única coisa da qual julgava capaz de ser plenamente capaz de cuidar: eu mesma. Em alguma parte do caminho que não sei precisar exatamente qual foi, percebi que estava trilhando a estrada errada e mesmo assim insisti em permanecer nela. E fui errando a cada vez que – teimosa que fui – andava trôpega esperando que após transpor aquele monte surgisse uma bela paisagem e o caminho se suavizasse… persisti andando, até meus pés sangrarem e meus olhos ficarem turvos com a poeira do caminho íngreme.
Sim, eu errei.
Errei tanto por não acreditar que não brotariam flores no meio das pedras, mesmo que eu fosse jogando sementes pelas margens da estrada. Errei ainda mais por não enxergar o caminho que eu escolhi como ele realmente era: uma bela estrada vista de longe, mas um solo pouco acolhedor para se deitar os passos da vida. Foi preciso entender que mesmo que os pés sangrassem, mesmo que eu regasse as sementes das flores que eu esperava ver brotando com minhas próprias lágrimas e que eu me mantivesse disposta a trilhar este caminho a cada novo amanhecer, ele jamais seria tão belo ou tão suave… e que as sementes que eu estava desesperadamente tentando fazer brotar estavam sendo desperdiçadas naquela aridez, morrendo antes mesmo de se tornar broto.
Sim, eu errei.
Errei ao escolher trilhar o caminho errado. E errei ainda mais ao permanecer esfacelada pela culpa do erro. Errei em cada uma das noites que, sentada à beira do caminho, me culpei por não saber como retornar ao começo e crucifiquei a mim mesma por ter feito a escolha errada. Errei ao permitir que a sensação de fracasso tomasse conta do meu ser. Ao permitir que o desespero me fosse a companhia mais frequente e que a tristeza fizesse ninho no meu peito, como se ali fosse sua derradeira morada.
Sim, eu errei.
Errei em tomar um caminho, quando deveria ter tomado outro, ou mesmo ter permanecido na encruzilhada da vida, indefinidamente. Errei por andar até que meus pés não mais suportassem o peso do meu corpo. Mas hoje percebo que a escolha foi equivocada, mas o modo de andar foi correto. Eu acreditava no caminho! E fiz meu melhor: caminhei com todo vigor e entusiasmo, passo a passo, mesmo quando a dor parecia insuportável e era mais fácil parar e descansar. Não sucumbi às sombras e continuei firme, jogando sementes e andando sob o sol escaldante.
Sim, eu errei.
Escolhi o caminho errado… Mas ao menos descobri-me capaz de andar…
6.2.12
Abstinência
Tive uma forte crise de abstinência por esses dias. Daquelas medonhas. Tudo começou com um leve mau humor matinal. Desses que vão se achegando na gente sem saber por quê nem pra que. Fui olhando pra fora e sentindo um aborrecimento imenso pelo tempo que não parava de chuviscar. Com o passar do dia o que era um mau humor foi se agravando, tornou-se inquietação. Andei pela casa. Sentei. Levantei. Deitei. Fui tomar um banho. Até uns pingos de chuva eu peguei no pátio para ver se encontrava sossego. Nada. Último recurso antes do desespero: liguei a tv. Estava passando um daqueles filmes que passavam na época em que eu era criança, alguma coisa com bichos que falavam e com montagens tão arcaicas que só pioraram meu estado.
Estava na casa da minha mãe. Precisava me conter antes que vissem meu estado… mas eu não conseguia mais me controlar, a fissura já estava tomando conta de mim. Afinal faziam quase 24 horas que eu havia deixado meu sacro-santo lar, reduto onde tudo me é permitido.
Não deu mais pra segurar. Comecei a remexer frenéticamente nas gavetas e armários (olhei inclusive em cima deles), na esperança de encontrar algo que ao menos amenizasse meu estado, naquelas alturas já um tanto deplorável. Vasculhei tudo minunciosamente. Lembrei-me então que nem minha mãe nem minha irmã e muito menos minha sobrinha pequena adotavam “certos hábitos” dos quais eu era adepta.
Já estava quase desistindo, quando um certo artefato fez palpitar meu coração. Peguei-o entre os dedos, pensando que talvez de alguma forma aquilo pudesse auxiliar-me, embora estivesse longe de ser o que eu costumava usar. “Talvez quebre o galho por mais algumas horas, até eu arrumar algo que me satisfaça melhor”, pensei.
Pomposamente como a importância do fato pedia, visto o adiantado do meu estado, dirigi-me até a cozinha, naquele momento vazia. Abri a janela. Queria muita luz pra poder me concentrar no que estava prestes a fazer. “Espero que não apareça ninguém para me interromper”, pensei enquanto olhava para a porta.
Acomodei-me confortavelmente. Respirei fundo. Imaginei que logo a aflição que já se tornava quase física iria ser pelo menos amenizada. Quase senti suor na palma da mão. Sentei relaxadamente, pronta pra por fim naquele tormento que já durava horas. Sentei, espichei minhas pernas e recostei-me nas almofadas. Era chegada a hora. Abri calmamente o saquinho. Deliciei-me com o formato tão conhecido. Tudo bem que não era do tipo que eu estava acostumada… mas, na falta do que eu fazia uso habitual, contentei-me momentâneamente com o produto que estava entre meus dedos. Passei primeiro a mão, depois me ative ao que continha.
Por fim, abri aquele exemplar de CONTIGO. Primeira página, segunda página, muito entusiasmo… “a Fulana se separou do Beltrano e eu nem sabia que eles tinham casado”, pensei. “A Sicrana mostrando o silicone…a outra mostrando a calcinha, a próxima mostrando que não usava calcinha…” Terceira página. Abandonei a revista. Definitivamente não resolveria meu problema de não ter o que ler.
Uma luz no fim do túnel, ou melhor no fim da mala! Eu, viciada como sou, não podia ter viajado sem um exemplar deste produto indispensável. Achei “A criança e o medo de aprender”, de Serge Boimare. Me atirei ávida à releitura da obra, já conhecida.
No dia seguinte, bem cedinho, fui até o centro da cidade em busca de mais sossego pra minha mente viciada. Livrarias fechadas. Fui ao supermercado, encontrei algumas coisas, dentre elas “A mulher de trinta anos”, um clássico de Balzac. Comprei e fui pra casa da minha mãe, mas antes passei pra dar uma olhadinha no mar.
Livro na mão, problema resolvido pelos próximos dias, tomei uma decisão irrevogável: daqui pra frente, dois livros na mala pra cada viagem. Não quero passar esse suplício novamente…
11.12.11
Coração
Tem dias que só o que se quer é encontrar onde está a chave que abre o peito, para que possamos destravar o coração e arrancar dele todas as lanças pontiagudas que causam tamanha dor. Aí descobrimos que mesmo arrancando cada uma das lanças, cuidadosamente, o coração ainda está dolorido. Pior, está em frangalhos.
Recuperá-lo vai exigir uma tarefa árdua de cuidado e dedicação, para fechar todas as feridas abertas. Mas enquanto ele se recupera, não pode deixar de bater, pois é ele mesmo que nos mantém vivos.
E assim ele vai nos mantendo vivos, exaurindo todas as suas forças de órgão pulsante. Sobreviver vai esgotando as suas energias, e a cicatrização demora cada vez mais. Mas aos poucos ele pára de sangrar. O sangue estanca. Os tecidos começam a lentamente se recompor.
E o tempo e os cuidados vão garantindo que a ferida se feche, que o machucado cicatrize. Mas um coração ferido nunca mais volta a ser o mesmo. As marcas vão estar lá para sempre, mesmo que todas suas funções voltem ao normal. E a dor, vez ou outra, vai insistir em aparecer, para nos lembrar do quanto é difícil recuperar um coração dilacerado.
É por isso que tantas vezes, as pessoas relutam em remover o que causa dor…
27.10.11
Tristeza
Taiana Vanessa Rossi 27/10/2011 às 23:24
26.10.11
Academia
Hoje acordei muito cedo, com vontade de malhar. O corpo estava precisando de exercício, pronto para pular da cama e puxar uns quilinhos, exercitar os músculos e desenferrujar as articulações. Pensei com meus botões – ops, meu pijama não tem botões, mas tem lacinhos ou tirinhas ou coisas do tipo – “não vou ser igual a toda essa massa de mulheres comandadas pelos instintos e desejos corporais. Não, não. Comigo não. Aqui é a mente que está no comando. Não vou atender aos apelos corporais.”
Determinada, virei para o lado e dormi novamente, não sem antes pensar como foi a experiência de estar em uma academia. Entrei lá quase de ré, pensando que talvez eu ainda pudesse dizer que estava saindo antes que me perguntassem o que eu tava fazendo ali. Não deu outra, a instrutora veio toda sorridente em minha direção…. “O que deseja?” Nisso, passou uma mulher imensa devorando um apetitoso sorvete. Só consegui sussurrar, apontando para a mulher: “eu quero…” Ela me puxou pelo braço animadíssima, me olhando como a me confidenciar: “emagrecer uns quilinhos, todas nós queremos!”
Na verdade eu queria o sorvete da mulher, mas antes que eu pudesse desfazer o mal entendido, ela começou a me pesar, medir… e em três tempos eu estava no alongamento. Uma série infindável de movimentos de músculos que para mim eram mais ou menos como o Azerbaijão – eu sabia que existiam, mas nunca, sequer em pensamento, pensei em fazer um trabalho lá. No final, da série estica e puxa, eu já estava me despedindo, toda dolorida, quando ela pergunta: “pronta para começar?” Começar? Como assim? E tudo que eu tinha feito até então? Já estava suada e tudo!
Ela então me apresentou para a esteira, onde fiquei igual a um ratinho de laboratório. Se bem que acho que ratinhos de laboratório não ficam encolhendo a barriga nem tentando olhar se a companheira do lado está andando mais rápido ao mesmo tempo em que espiam o espelho e empinam o bumbum.
Eu achando que já tinha dado a volta ao mundo, me sentindo orgulhosa de mim mesma, pensando em quanto eu já poderia comer a mais de chocolate, ela chega ainda mais animada me dizendo que ia me colocar nos aparelhos. Aquilo soou como se eu estivesse nos porões da ditadura. Me pareceram mesmo aparelhos de tortura pelas expressões de sofrimento daquele monte de gente suando às bicas, erguendo pesos desesperadamente e fazendo caras e bocas a cada movimento. Ainda não descobri se as caretas fazem parte dos exercícios, se ajudam a fortalecer a musculatura facial ou se é apenas para a instrutora ver que se está dando o máximo e não aumentar a carga. Sim, pois quando ela chega do seu lado e pergunta, com aquele ar preocupado “assim está bom?” e você mal consegue balançar a cabeça assertivamente enquanto respira e tenta manter-se em baixo do aparelho, ela vira e tira, não sei de onde, umas coisinhas coloridas que triplicam o peso que você deve suportar. E te olha triunfal: “assim está melhor!”, enquanto você tenta segurar seu coração que está prestes a saltar pela boca.
Depois de tudo isso, repete-se o tal alongamento, mas à essa altura do campeonato, está tudo tão amortecido que só no que você pensa é em tomar um Dorflex quando chegar em casa.
No dia seguinte, dói lugares do seu corpo que você sequer supunha que existia e a impressão que se tem é que um caminhão te atropelou e você não conseguiu anotar a placa. A partir deste dia, quando te oferecem sorvete, só o que você consegue responder é: “não, obrigada.”
4.10.11
Formando Pensadores
Professora Marlise!
Escrevo estas singelas linhas, em meu nome e em nome de todos os alunos que tiveram o privilégio de serem guiados pela sua mão pelos caminhos do saber durante estes vinte e cinco anos.
Vinte e cinco anos é um tempo muito maior do que a idade de muitos de seus alunos e orientandos. Vinte e cinco anos é um quarto de século. Vinte e cinco anos é uma vida!
Uma vida de dedicação, de amor à profissão, de estudo, de muito trabalho, de empenho, de paciência, de criatividade, de competência, de generosidade e especialmente de uma crença firme e inabalável de que o conhecimento pode ser acessível a todos, e que através dele o ser humano pode evoluir.
Certamente, foram incontáveis os alunos que tiveram a oportunidade ímpar de conviver com a senhora e tenho a certeza de que em cada um deles, deixaste sua marca, fizeste a diferença, pois não há como ser seu aluno e não ser tocado, contagiado ou literalmente impregnado pela sua energia, pela sua sede de saber e pelo seu entusiasmo diante do conhecimento.
Ainda mais agraciados, são os que – assim como eu – têm o privilégio de serem orientados pela senhora na sua caminhada acadêmica. A palavra orientação não comporta a amplitude do que realmente ocorre nestes encontros, pois são nestes momentos, com palavras doces e semblante sereno, que faz com que cada um de nós vá descobrindo que pode ir um pouco mais longe, que é capaz de ir além, que possui uma força maior do que supunha. E esses momentos são transformadores, são espaços de evolução, de crescimento, não apenas acadêmicos, mas pessoais.
Foram vinte e cinco anos plantando sementes nas mentes e nos corações dos alunos. Vinte e cinco anos fazendo brotar a vontade de aprender, de progredir, de melhorar, de transformar, reinventar.
Foram vinte e cinco anos formando pensadores…
Taiana Vanessa Rossi
# Homenagem à Marlise H Grassi, pelos 25 anos de trabalho - Univates - RS
*
23.9.11
Homenagem…
Não sei quanta vida há
No inspirar e expirar da respiração
Ainda não sei o que será
Quando não estiver mais pulsando o coração
Sei apenas que na minha memória
Seu sorriso de criança está
E que tua existência já fez história
E no meu coração para sempre estará
Tão frágil somos diante da morte
E quão forte tens sido, meu pequeno anjo querido
Mostrando que precisamos agradecer a saúde e a sorte
De ver o sol a cada novo dia ressurgido
Que Papai do Céu abençõe sua missão de esperança
Ensinar a nós, seres imperfeitos, a incondicionalmente amar
Nos despirmos dos preconceitos que trazemos como herança
E enxergar a Deus nas batidas do coração de uma criança
PS.: Em homenagem ao Pietro, meu amado sobrinho, em coma na UTI
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